Respeito a todas as formas de vida
Na Mitologia Celta encontramos diversas histórias nas quais os heróis buscam a sabedoria dos animais para resolver um problema ou adquirir conhecimento.
Também há registros de que os Druidas tinham os bosques como sagrados e era neles que realizavam seus rituais, as árvores eram sagradas e alguns ritos só podiam ser realizados em sua presença.
Atualmente a espécie humana se leva em muita alta conta, vendo a si própria como superior às outras formas de vida e nos esquecendo de como somos codependentes.
O Druidismo nos lembra que não há superioridade entre as espécies, que cada uma tem sua sabedoria própria e que estamos todos interligados.
Nos mitos celtas, os animais aparecem com frequência como fonte de sabedoria, auxiliares em jornadas ou mensageiros dos Deuses.
As árvores também desempenham papéis especiais, como portais ou detentoras de poderes mágicos.
O RESPEITO A TODAS AS FORMAS DE VIDA é um dos valores da espiritualidade celta moderna. E podemos vivencia-lo ao:
- Compreender a importância e a sacralidade de todas as formas de vida, seja ela do reino animal ou vegetal;
- Se preocupar com a preservação do meio ambiente;
- Adotar práticas sustentáveis como a redução do lixo e do consumo desnecessário;
- Apoiar instituições de defesa e cuidado de animais, urbanos e silvestres;
- Cobrar politicamente as pautas de defesa do meio ambiente;
- Contribuir em projetos sociais;
- Apoiar as comunidades nativas e a preservação de seu modo de vida;
- Optar por marcas que não fazem testes em animais e não contribuem com o desmatamento e exploração de áreas preservadas;
- Cultivar jardins e compreender as possíveis medicinas que as plantas nos ensinam;
- Desenvolver uma visão horizontal com relação as demais formas de vida, buscando romper o egocentrismo da visão humana;
- Manter um estilo de vida saudável, respeitando seu próprio corpo e evitando o consumo desnecessário de remédios;
- Cuidar de si mesmo, pois é através deste cuidado que se torna possível olhar/respeitar o outro.
Um conto sobre o RESPEITO A TODAS AS FORMAS DE VIDA:
Certa vez Culhwch, um dos cavaleiros de Arthur, precisou da ajuda de Mabon, mas ninguém sabia onde encontrá-lo. Em sua busca o herói pergunta a aqueles mais sábios e antigos.
Primeiro encontra o melro Cilgwri. O melro não sabe onde está Mabon, mas lhe diz: “Há muito tempo atrás havia uma bigorna, na qual dei muitas bicadas até reduzi-la ao tamanho de uma noz e durante todo esse tempo, nunca ouvi falar de Mabon. Mas, há uma raça de animais que nasceram muito antes de mim, vou levá-los até eles.”
E levou-os até o veado de Redynvre, que lhes disse: “Há muito tempo atrás havia uma grande planície neste lugar, mas nela nada crescia exceto um carvalho que eu vi se transformar numa árvore enorme e, com o passar dos anos, definhou até restar apenas um toco. Durante todo esse tempo, nunca ouvi falar de Mabon. Mas, vou levá-los a uma criatura que é mais velha que eu.”
Então, levou-os à coruja de Cwn Cawlwyd.
“Diria se soubesse”, disse a coruja. “Quando eu vim para essas paragens pela primeira vez, esse vale era todo arborizado, até que nasceu a raça dos homens e arrancou todas as árvores. Durante todo esse tempo nunca ouvi falar do homem que procuram. Mas, vou levá-los a um animal mais antigo do que eu, a águia de Gwern Abwy.”
“Muitas eras se passaram desde que cheguei aqui”, comentou a águia. “Este rochedo era tão alto que durante a noite eu podia bicar as estrelas do céu, mas hoje ele tem apenas um palmo de altura. Durante todo esse tempo nunca ouvi falar de Mabon. Porém, há muitos anos, quando pairava por cima das águas de Llyn Llyw em busca de comida, avistei um salmão. Quando mergulhei para apanhá-lo, ele me arrastou ao fundo, mas conseguiu fugir. Depois disso ficamos amigos. Ele deve ser mais velho que eu, então, vou levá-los até o salmão de Llyn Llyw.
Ao encontrá-lo os salmão diz “Testemunhei muitos fatos rio acima. Venha comigo que vou lhe mostrar o que vi”
